Do clima para a sala de aula
- Heleno Proiss Slompo

- há 8 minutos
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O ensino climático nas escolas, com a Dra. Ercília Steinke
Recentemente estive envolvido em uma atividade de laboratório sobre educação climática, que consistiu na confecção de um pluviômetro caseiro para medição da chuva. A atividade foi bastante interativa, pois os alunos de Ensino Médio demonstraram interesse na aplicabilidade do instrumento e em como ele poderia representar um pluviômetro oficial, como o de Ville de Paris, utilizado por profissionais das ciências atmosféricas. Esse momento me motivou a escrever sobre como a Climatologia pode ser aplicada em sala de aula. Para este momento, tive a ideia de trazer a Dra. Ercília Steinke, professora da Universidade de Brasília (UnB), minha ex-orientadora, responsável por despertar meu interesse pela área e especialista em clima e educação.
Em nosso breve diálogo, perguntei-lhe sobre as estratégias e recursos pedagógicos mais eficazes para concretizar a Climatologia na sala de aula. Esse questionamento se deve à abstração e complexidade que envolvem a Climatologia, por ser uma área das ciências da natureza e, ao mesmo tempo, tão presente em nosso cotidiano, a ponto de influenciar diretamente nossas programações diárias. Para a professora, trazer ao cotidiano a vivência do clima e permitir momentos de experimentação, como nos experimentos da vela e do balão, pode gerar ótimos resultados. A Climatologia, segundo ela, sempre esteve associada à curiosidade. Por isso, eventos extremos nos causam tanto espanto, como as chuvas torrenciais e tempestades, além de outros eventos específicos da natureza.
Mas tudo tem seu “espaço”, e a razão de a Climatologia ser uma ciência tão flexível e aplicável está justamente na possibilidade de trazê-la para o dia a dia. A professora lembra que a Geografia possui componentes espaciais como o relevo, a indústria, a vegetação, a cidade, o clima, entre vários outros. Dessa forma, apresentar a Climatologia como “funcional” é mais coerente do que representá-la apenas como algo meramente físico. “Não se pode esperar que um aluno do 6° ano tenha plena compreensão da circulação geral da atmosfera”, comentou a pesquisadora, “...até porque trabalhar os componentes espaciais isolados não constitui um exercício geográfico...”. Conceitos como leis da radiação, caracterização da pluviometria e termodinâmica dos fluidos são objetos de estudo da Física e, embora sejam importantes para a Climatologia geográfica, funcionam como subsídios, mas não como objetos centrais de estudo.
A Climatologia vivenciada pode ser aproveitada em discussões de participação social por meio de oficinas e projetos de extensão que extrapolam o ambiente acadêmico e se traduzem em experimentações cotidianas. Essas iniciativas desafiam os estudiosos da área a tornar conceitos complexos mais aplicáveis e acessíveis, além de possibilitar maior evidência da área e até de recursos para suas pesquisas, ao promover relações de ganhos mútuos entre academia e sociedade. Isso não se restringe apenas à sala de aula, mas nela se materializa como um espaço de obtenção de conhecimento sistematizado e orientado. A professora recomenda atividades como medições da temperatura do ar, observação da vegetação, uso de mapas ou oficinas de reaproveitamento de água e resíduos para práticas ambientais, que são excelentes formas de dar sentido a “Climatologia”, tão importante no atual contexto de mudanças ambientais no Antropoceno.
Bibliografia recomendada
Steinke, E. T. (2016). Climatologia fácil. Oficina de Textos (livro).

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