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Atores sociais da conservação

  • Foto do escritor: Jonas F. G. Souza
    Jonas F. G. Souza
  • 24 de fev.
  • 3 min de leitura

A contribuição de atores sociais para a conservação da natureza


Desde os primórdios, o ser humano depende da natureza para (re)produzir. Essa sinergia se manifestou principalmente na busca por recursos destinados à alimentação e à habitação, o que contribuiu para o desenvolvimento de uma relação que perdura até os dias atuais. No entanto, com o passar do tempo, essa relação se tornou abusiva e prejudicial à biodiversidade, impacto que inicialmente não era perceptível. Esse processo se intensificou a partir da Idade dos Metais, período marcado pela formação dos primeiros grupos sociais, e aprofundou-se no renascimento, quando grandes expedições fundamentadas na lógica do mercado, sobretudo no mercantilismo, impulsionaram a exploração, invasão e conquista de territórios. Tais práticas concentraram-se, estrategicamente em regiões ricas em recursos naturais e que constituíram a base da primeira fase do capitalismo.


Ao longo do processo de expansão e exploração territorial, surgiram os primeiros registros sistemáticos de conflitos por terras. Esses confrontos tinham como principal objetivo a conquista de áreas já ocupadas há muito tempo por civilizações cuja relação com o território não se baseava na acumulação ou exploração intensiva, mas na subsistência e no equilíbrio com o ambiente. A ocupação forçada dessas regiões resultou na dizimação de diversos grupos étnicos ao redor do mundo, especialmente em áreas da América do Sul e da África. Como consequência, houve uma significativa redução de sociedades cuja organização cultural estava profundamente ligada à preservação e ao cuidado com a natureza.


Ao observar o cenário atual, percebe-se que o cuidado com a natureza se encontra fragilizado, possivelmente em razão do aprofundamento do consumismo exacerbado, um fenômeno com raízes históricas marcantes. Esse processo foi intensificado por transformações estruturais como a Revolução Industrial e o período da Guerra Fria, momentos em que o mundo passou por mudanças profundas, ambas fortemente orientadas pela valorização do capital e pela expansão econômica, bem como da mudança de uma mentalidade sociocultural de insatisfação


Apesar desse contexto, há esforços no âmbito internacionais voltadas à construção de modelos de desenvolvimento mais sustentáveis, buscando conciliar crescimento econômico com a preservação ambiental e evitar danos irreversíveis ao planeta. Entre essas iniciativas se destacam as Conferências das Partes (COPs), grandes encontros que reúnem diversas nações em torno da agenda climática global. Ainda que produzam acordos e compromissos relevantes, seus resultados práticos têm sido frequentemente considerados limitados diante da urgência dos desafios ambientais contemporâneos.


Porém, embora tais situações sejam aparentes e o cenário global totalmente controverso, os atores sociais ainda existem. Trata-se de um tipo de organização social que visa ajudar a proteger a natureza e sua biodiversidade, ao menos conservá-la. É possível citar exemplos como o de instituições e ONGs, sem deixar de lado os povos tradicionais que ainda resistem à opressão do capital, são estes: indígenas, ribeirinhos e caboclos, que possuem em sua rotina cultural a essência do valor que a natureza possui, sem se preocupar com acúmulos, mas sim pela subsistência e conservação de seus bens naturais. É preciso que esses atores sejam preservados, para que ao menos se tenha alguém protegendo algo que antecede o início das primeiras civilizações: a natureza.

 

 

Referências usadas


BALIM, Ana Paula Cabral; MOTA, Luiza Rosso; SILVA, Maria Beatriz Oliveira da. Complexidade ambiental: o repensar da relação homem-natureza e seus desafios na sociedade contemporânea. Veredas do Direito, Belo Horizonte, v. 11, n. 21, p. 163-186, jan./jun. 2014.

CIDREIRA-NETO, I. R. G.; RODRIGUES, G. G. Relação homem-natureza e os limites para o desenvolvimento sustentável. Revista Movimentos Sociais e Dinâmicas Espaciais, Recife, v. 6, n. 2, p. 142-156, 2017.

MANTOVANI, Waldir. Relação homem e natureza: raízes do conflito. Gaia Scientia, v. 3, n. 1, p. 3-10, 2009.

SMITH, Neil. Desenvolvimento desigual: natureza, capital e a produção do espaço. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 1988.

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