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A climatologia do dia a dia

  • Foto do escritor: Heleno Proiss Slompo
    Heleno Proiss Slompo
  • 3 de abr. de 2024
  • 3 min de leitura

Atualizado: 11 de dez. de 2025

Situações em que a microclimatologia participa de nossas vidas 


Homem com guarda-chuva, imagem de guvo59/pixabay


Algumas das postagens anteriores neste blog já abordaram a influência do clima em nossas vidas, destacando algumas estratégias com que os humanos se adaptam ao ambiente, seja através da resposta evolutiva ao longo do tempo ou da interferência direta em nossas atividades cotidianas. O foco agora especificamente é na Microclimatologia. Não será abordado as macroescalas climáticas globais ou as escalas regionais neste momento. A razão disso é de que os microclimas representam espaços menores nos quais todos os seres vivos respondem de maneira mais sensível e imediata. Questões como arquitetura, contexto urbano e comportamento humano são analisadas sob a abrangência da Microclimatologia.


Antes de tudo, é importante ressaltar que na escala microclimática os seres humanos possuem uma capacidade de adaptação maior em comparação com a climatologia regional ou global. Isso se deve ao fato de que, respectivamente, não é possível para o homem alterar em menor espaço-tempo a sazonalidade das chuvas na região típicas da capital federal do brasil (Brasília), e muito menos modificar o eixo de inclinação orbital da Terra de 23,5°, que é o principal responsável pelas quatro estações do ano. Ao se tratar de fenômenos climáticos, esbarra-se na discussão de escalas do clima, sobre qual abordagem e método usar em estudos da Climatologia. Quanto às mudanças climáticas, fica para a próxima.


Ao acordar pela manhã uma das primeiras coisas que se faz é abrir as janelas em um movimento de deixar a brisa fresca entrar para o interior aquecido do lar, renovando o ar: isso se deve pelos dois mecanismos físico, a temperatura e a densidade do ar. Logo depois, iniciamos o dia com um banho para se refrescar e começar com energia o dia. O banheiro oferece um exemplo claro de microclima bem definido: assim que o chuveiro aquecido é ligado, é possível perceber rapidamente como o vapor quente preenche o espaço do box e, ao condensar em superfícies mais frias, a água retorna ao seu estado líquido marcando as diferentes condições físicas da água. Este mesmo processo ocorre em uma chaleira quando se prepara o café da manhã – como discutido em um dos primeiros posts deste blog –, o meio físico termodinâmico transforma o líquido em pequenas nuvens de vapor quando a água atinge o seu ponto de ebulição.


A disposição da casa é um aspecto importante a ser considerado pelos arquitetos e engenheiros. Essa preocupação vem da era paleolítica, em épocas quaternárias marcadas por variações climáticas intensas que representavam um desafio para a evolução dos hominínios que precisavam encontrar ambientes mais equilibrados para ficarem. Eles buscavam refúgio em cavernas e tendas edificadas com ossos que serviam como andaimes cobertos com peles de animais (os mesmos materiais que os neandertais utilizavam para se proteger do frio). Eram nômades por natureza, adaptando-se a diferentes estações do ano na busca de alimentos e seus ambientes. Atualmente, muitos humanos não precisam mais se preocupar com essa instabilidade sazonal, graças ao conforto proporcionado pelos nossos lares.


Muitas pessoas hoje que têm a oportunidade de residir em um lar confortável podem desfrutar de tecnologias como ventiladores e, em alguns casos, até mesmo ar-condicionado. Os arquitetos desempenham sua função nesse aspecto, considerando o tipo de revestimento e a orientação das residências em relação ao movimento solar aparente, a fim de favorecer uma aclimatação adequada. Vale ressaltar que tais práticas não são novas. Estudos indicam que os kaingang, povo originário do Brasil, desenvolviam casas subterrâneas para sua habitação muito antes da chegada dos invasores europeus. Essas moradias eram projetadas para se protegerem das variações do clima e promover uma boa ventilação, entrada de luz e regulação térmica eficaz. É inspirador pensar que essas preocupações com o conforto ambiental não são exclusivas de culturas modernas, e sim parte de um conhecimento ancestral muito interessante e revelador.


Ao sair de casa, é frequente encontrar contrastes térmicos ao longo do percurso. Isso se deve à existência de diversos microclimas dentro da cidade. Ao viver próximo a áreas arborizadas é mais saudável e agradável do que em locais densamente urbanizados, onde o calor é retido pelo cimento e concreto e pelos prédios. Além disso, a falta de ventilação, a concentração de partículas nocivas e o fenômeno conhecido como ilhas de calor contribuem para uma experiência menos positiva nestas zonas. No entanto, esses aspectos podem variar consideravelmente de uma área para outra da cidade. Em locais onde a morfologia urbana permite uma maior permeabilidade, corredores de ventilação e a presença de áreas verdes, esses efeitos negativos mencionados tendem a ser atenuados.


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